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A Via Cavalheiresca

  • Posted on:  segunda, 03 novembro 2014 11:25

images-stories-comenda-image022-166x109“O eixo desta sociedade feudo-vassálica foi a cavalaria, cujas primícias aparecem no séc. VIII, mas cujas raízes se fundam na iniiação viril do guerreiro germânico, durante a qual um adolescente, pela outorga das armas, se torna um homem, logo, um guerreiro.

A sua criação feudal é a resultante do encontro de um contexto temporal, a fusão, a partir dos sécs. X e XI, da aristocracia rural enfeudada e de uma casta guerreira, saída dos mundos merovíngio e carolíngio, com um contexto espiritual cristão, no seio do qual um grande número de ideias pagãs, como a honra, a glória, a fidelidade, a vitória, o culto dos heróis e do vencedor em detrimento dos do santo e do mártir, da morte em combate providenciadora de «vitória e imortalidade», etc., tinham sido integradas pela Igreja: ela deveria comunicá-los a esta nobreza militar que foi a cavalaria, através de ritos específicos como o jejum, a velada de armas (a «descida dos infernos» ou a «morte» do ancião ), o banho purificador (a «subida» para a Luz), a missa e, finalmente, a investidura («sacramento» destinado a transmitir uma influência espiritual operativa ao «novo homem», a fim de que possa atingir a plenitude do seu estado).

Ao cristianizar a antiga entrega das «armas viris», o Cristianismo criou não só uma «sociedade de homens» sacralizada, uma «ordem» à qual era reconhecida uma dignidade espiritual e social, mas também abriu uma «Via», a «via cavalheiresca», permitindo ao homem construir ele próprio, à sua medida, a perfeição espiritual e harmonizar a sua «mortal individualidade». No essencial, esta «Via» podia ser seguida em duas modalidades: uma profana, dirigida à cavalaria secular, baseada no feudo, posta ao serviço de um senhor, de uma Dama ou de uma comunidade qualquer, o que não a dispensava de verter o seu sangue, o «veículo da alma» pela defesa da Igreja: os seus preceitos morais são a proeza, a valentia, o respeito pela palavra dada, a liberalidade (desprezo pelo lucro e doação aos pobres) e a cortesia, sobretudo a partir do séc. XIV; e uma modalidade espiritual, dirigida à cavalaria monástica e militar (séc. XII), composta por um tipo preciso de guerreiro, o guerreiro sacro; era a «grande Via» para atingir a perfeição na «luz directa do Senhor Santo Cristo» e a sua realização concreta passava sobretudo pela participação na «guerra santa».

Os seus preceitos são os da cavalaria profana, com excepção, todavia, da natureza do serviço, prestado não a um senhor laico ou a uma dama, mas à Ordem e à Igreja em geral: há que adicionar a humildade e os três votos de pobreza, castidade e obediência, comuns a qualquer comunidade religiosa. Quanto à cortesia, deve dirigir-se não à mulher terrena, mas à mulher celeste, a mulher sublimada, a Virgem Maria, analogicamente assimilada à Igreja, reconhecidamente de extrema importância para os Templários, inspirados por S. Bernardo, o «cavaleiro da Virgem» e o inventor do termo «Nossa Senhora».

 

Excerto de “Templários” de Bernard Marillier, Editora Hugin e publicado em Yorkie (Volume III, No. 9 Setembro de 1999)